Após sofrer um duro golpe com determinações do Banco Central do Brasil e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) o Facebook “se rendeu” e disse que vai integrar o PIX.

A rede social confirmou a informação ao Cointelegraph.

“Nosso objetivo é fornecer pagamentos digitais para todos os usuários do WhatsApp no Brasil, com um modelo aberto e trabalhando com parceiros locais e o Banco Central. Além disso, apoiamos o projeto PIX do Banco Central, e junto com nossos parceiros estamos comprometidos em integrar o PIX aos nossos sistemas quando estiver disponível”, informou.

Contudo até o momento a Rede Social não se habilitou para integrar o PIX e, portanto, seguindo as regras atuais, não deve integrar o sistema em seu lançamento.

Como o Facebook não propós adesão ao PIX ele não foi habilitado pelo Banco Central.

Uma nova “janela” para a entrada de novas empresas só estará disponível em dezembro, segundo o BC.

Desta forma, somente em 2021, o Facebook poderia integrar o PIX.

Reunião com o Banco Central

Representantes do Banco Central do Brasil (BC) e do aplicativo WhatsApp vão se reunir virtualmente em um encontro marcado para esta quarta-feira (24).

De acordo com informações sobre a agenda de autoridades da instituição, o evento acontecerá às 13h30 e deverá tratar de assuntos de organização do sistema financeiro.

Porém, nesta reunião o Facebook deve reafirmar seu compromisso em integrar o PIX.

A reunião será realizada com João Manoel Pinho de Mello, ​Diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do BC.

Além de Mello também vão participar da reunião, Eduardo Lopes, Diretor de Políticas Públicas, e Pablo Bello, Diretor de Políticas Públicas para Mensageria Privada na América Latina do Facebook/WhatsApp.

Banco Central já havia recomendado adesão ao PIX

O Banco Central já havia recomendado ao Facebook a adesão ao PIX.

Logo após o anuncio da rede social sobre seu sistema de pagamento o BC informou que acompanhava a iniciativa e que ela deveria ser integrada ao PIX ao invés de ser anunciada individualmente.

“O BC está acompanhando a iniciativa do WhatsApp e avalia que há grande potencial para sua integração ao PIX. Entretanto, o BC considera prematura qualquer iniciativa que possa gerar fragmentação de mercado e concentração em agentes específicos”, disse o BC.

Banco Central e CADE

Recentemente o Banco Central do Brasil determinou que as empresas que apoiem o lançamento do Facebook interrompam seu suporte.

Caso as empresas não cumpram a determinação elas estão sujeitas a multa pelo BC.

“No âmbito de suas atribuições de regulador e supervisor dos arranjos de pagamento no Brasil, o Banco Central (BC) determinou a Visa e Mastercard que suspendam o início das atividades ou cessem imediatamente a utilização do aplicativo WhatsApp para iniciação de pagamentos e transferências no âmbito dos arranjos instituídos por essas entidades supervisionadas.”

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) também partiu pra cima do Facebook e determinou a suspensão imediata do suporte da Cielo sobre o sistema

“Com base em todo o exposto, faz-se necessária a adoção de medida cautelar para fazer cessar efeitos anticompetitivos da prática investigada, com fulcro no Art. 18 da Resolução CADE nº 24/2019, determinando: a suspensão integral da operação no Brasil, ficando vedada a implementação do acordo entre Facebook e Cielo e a oferta da solução via Whatsapp”, decidiu

PIX

O PIX é o sistema de pagamentos instantâneos do Brasil e será lançado em novembro pelo BC.

Por meio dele será possível enviar e receber dinheiro 24 horas por dia, 7 dias por semana, com tempo de demora nas transações de 2 segundos.

Além disso o sistema vai unir fintechs e grandes bancos e deve permitir saques de dinheiro sem a necessidade dos bancos, podendo ser feito até em padarias.

Assim, o PIX vem sendo apontado como o sistema que irá “acabar” com as operações de TED e DOC, embora elas devem continuar a existir.

No PIX as transações entre pessoas físicas devem ser gratuitas, ao contrário do TED e DOC que chegam a cobrar até R$ 16.

Fim do dinheiro

Além de ser um potencial “matador” das transações de TED e DOC o PIX pode ainda ajudar a eliminar o dinheiro físico.

Está é inclusive uma das expectativas do Banco Central.

Durante o lançamento do PIX o presidente do BC, Roberto Campos Neto, salientou o novo sistema como um potencial eliminador do dinheiro.

“(PIX e Open Banking) vão ser uma ajuda muito grande também na forma de desintermediar essa necessidade de as pessoas terem dinheiro físico”, disse Campos Neto.

Para Campos Neto, o mundo demanda um novo instrumento de pagamento.

“(…) que seja ao mesmo tempo barato, rápido, transparente e seguro. Se nós pensarmos o que tem acontecido em termos de criação de moeda digital, criptomoedas, ativos criptografados, eles vêm da necessidade de ter esse instrumento, com essas características, barato, rápido, transparente e seguro” destacou.

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