De acordo com matéria da Coindesk lançada nesta quarta-feira, 09 de outubro, 30 empresas de blockchain e organizações sem fins lucrativos planejam sair da Associação Libra, liderada pelo Facebook, para criar sua própria versão da criptomoeda apelidada OpenLibra.

A intenção foi anunciada na conferência de desenvolvedores de Ethereum Devcon. De acordo com Lucas Geiger, cofundador da startup de infraestrutura de blockchain Wireline, o OpenLibra funcionará como uma stablecoin atrelada à Libra, porém de forma independente. Atualmente, o lançamento da criptomoeda do Facebook está previsto para o final do próximo ano.

“Vamos dividir o código, dividir a comunidade e criar uma nova criptomoeda chamada OpenLibra”, disse Geiger durante sua apresentação na Devcon. “Não haverá venda de tokens. Sem patrimônio e nenhuma empresa por trás dessa iniciativa.”

A equipe principal da OpenLibra inclui representantes de vários projetos de blockchain, incluindo Cosmos, Chainlink, Web3 Foundation, Democracy Earth e outros, além de organizações sem fins lucrativos, como a Cruz Vermelha Dinamarquesa.

Geiger explicou que “uma doação generosa” da Fundação Interchain servirá para dar suporte à pesquisa da OpenLibra, juntamente com fundos pessoais. A Fundação Interchain é uma organização sem fins lucrativos dedicada ao suporte ao desenvolvimento da rede Cosmos.

“Isso cobre nosso financiamento por vários meses, mas há outros subsídios chegando”, disse Geiger.

Até agora, o projeto OpenLibra publicou uma versão sem permissão da máquina virtual Libra no GitHub. Diferentemente da Libra, os cálculos de código na OpenLibra, chamados “MoveMint”, serão executados no topo do software da blockchain da Tendermint, projetado especificamente para uso em plataformas públicas de blockchain, como a Cosmos.

“Qualquer coisa em execução na Libra do Facebook, você pode simplesmente arrastar e soltar na OpenLibra. As finanças funcionarão da mesma maneira. O código funcionará da mesma maneira”, disse Geiger.

Geiger explicou que ele e outros não queriam que “uma empresa de cartel com a ética do Uber e censura da Visa” fosse a única proprietária da Libra. Ainda assim, ele disse que a ideia para a criptomoeda e sua tecnologia não era apenas brilhante, mas “provavelmente se tornaria a moeda da internet”.

“Nós confiamos na Libra, no Facebook não”, resumiu Geiger.

No futuro, Geiger e o restante da equipe da OpenLibra planejam trabalhar na construção de um esquema robusto para supervisionar a plataforma OpenLibra. “Este é um problema de governança. Os governos podem atacar Visa, Mastercard e Facebook de diferentes ângulos e isso contribui para uma moeda de reserva frágil”, disse Geiger, acrescentando:

“Temos menos exposição regulatória que o Facebook. Os governos têm menos influência sobre nós. Ganhamos força ao ter mais membros descentralizados, não apenas geograficamente, mas também politicamente e economicamente”, finalizou.

O Facebook anunciou a Libra pela primeira vez em junho, como uma stablecoin que será atrelada à uma cesta de moedas fiduciárias e títulos do governo. No entanto, os conflitos com governos e bancos centrais ao redor do mundo têm feito membros do projeto hesitarem e até declarar sua saída, como foi o caso da empresa de pagamentos PayPal.

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