(Foto: Shutterstock)

É pura matemática: uma criptomoeda que custa 1 centavo tem um potencial de alta muito maior do que outra de 100 dólares. Isto ocorre pois sua capitalização total, ou market cap, tende a ser menor, logo é mais fácil subir 300% ou mais.

Este é um mito que persiste há décadas, pois apesar da lógica por trás, na prática o efeito não existe. A mídia gosta de destacar ativos que tiveram altas exorbitantes, e por este motivo tais exceções ganham destaque.

Ao pegarmos uma amostra de 15 ou mais moedas “baratas” e compararmos com o restante do mercado, provavelmente este efeito desaparece. Quer ver isto na prática? 

Vamos analisar os últimos 3 rallys, ou fortes altas, para ver como as moedas custando menos de US$ 1 se saíram ao compararmos com as demais.

Período I: 9 à 23/Jun/2019

  • Capitalização total: alta de 34%

O mercado havia subido 36% nos 30 dias anteriores. O Bitcoin (BTC) testou os US$ 8.800 e recuou pra US$ 7.600, cenário perfeito pra um rally de altcoins. Uma nova onda de alta iniciou-se no dia seguinte, em 10 de junho.

Definitivamente não foi um bom período para ficar nessas moedas “baratas”, especialmente quando levamos em conta que Ethereum (ETH) subiu 33% e Bitcoin Cash (BCH) 25%. O Bitcoin (BTC) liderou com folga, 42% de ganho.

Período II: 23 à 28/Out/2019

  • Capitalização total: alta de 21%

Esta semana ficou conhecida como “pump chinês”, após o discurso favorável do presidente Xi Jinping. Mesmo com uma forte ajuda de moedas com foco na China como Ontology (ONT), Tron (TRX) e VeChain (VET), as demais continuaram perdendo para o restante do mercado. O Bitcoin (BTC) subiu 24% no mesmo período 😨

Período III: 1/Jan/2020 à 1/Fev/2020

  • Capitalização total: alta de 37%

Finalmente encontramos um rally no qual as moedas “baratas” superaram o Bitcoin (BTC), que subiu 31% no período. É importante ressaltar que DASH +180%, Bitcoin Cash (BCH) +86%, Litecoin (LTC) +68% e Monero (XMR) +60% superaram com folga a média destas moedas abaixo de 1 dólar.

Por que isto acontece?

Dentre as top 200, apenas 27 custam acima de 3 dólares. Isso nos dá 86% de moedas “baratas”, logo é natural que ocorram altas mais fortes nesta amostra.

Repare que mesmo no período do “pump chinês”, menos da metade ficou acima dos 31% do Bitcoin. Provavelmente uma cesta das 10 moedas mais “caras” teria se saído melhor.

Conclusão

Esqueça esta história de moeda “barata”, pois o valor unitário é completamente arbitrário. Tudo depende se existem milhões ou bilhões de moedas em circulação, e isto é definido no início da vida do projeto.


Sobre o autor

Marcel Pechman atuou como trader por 18 anos nos bancos UBS, Deutsche e Safra. Desde maio de 2017, faz arbitragem e trading de criptomoedas, além de ser cofundador do site de análise de criptos RadarBTC.

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